Programa Carlos Henrique

Catástrofe, ano 10: As lições de uma tragédia e um futuro preocupante

Direto do laboratório de geologia da FURB, Carlos Henrique entrevistou o professor doutor Juarês Aumond, expert em geologia em Santa Catarina. Na pauta, as memórias de 2008, erros e acertos na prevenção de deslizamentos e o perigo eminente da mudança climática

Onde você estava entre os dias 22 e 23 de novembro de 2008? Se você era de algum outro lugar no Brasil, provável que estivesse vivendo um fim de semana comum, se divertindo, fazendo uma limpeza ou encontrando alguma turma de amigos.

No entanto, enquanto para muitos o fim de semana era, simplesmente, um fim de semana, as regiões do Vale e norte do estado, entre outras, olhavam aflitas para o céu quando os primeiros registros de enchente e deslizamentos começavam a surgir: Há alguns meses em chuva constante, estes pontos do estado poderiam esperar uma enchente de alguma proporção, mas não podiam esperar que o perigo viesse do imprevisível e do alto: as encostas.

Anos de ocupações irregulares, uso incorreto do solo e a pesada carga de chuva que já superava os 1000m³ acabaram por consumar-se num efeito explosivo devastador: grandes morros e encostas do Vale sofriam de alguma forma as consequências de algum deslizamento entre os vários que assolariam a região. O saldo deste cataclismo é assombroso até hoje: Mais de 60 municípios atingidos, 135 mortos, sendo a maioria concentrada em Ilhota; Mais de 150 mil unidades consumidoras sem luz ou telefone por dias, estradas e acessos bloqueados, economia paralisada no começo do período mais importante e por ai afora.

A tragédia deixou suas cicatrizes abertas ou parcialmente cobertas e consertadas até hoje. Famílias perderam bens e entes queridos, estruturas foram abaladas e o relevo, outrora a fuga das enchentes, virou a bomba relógio que, anos depois, continua assustando em seus movimentos, destruindo, impedindo e alertando para o perigo que nunca terminou.

As coisas não são mais as mesmas depois de 10 anos. As prevenções e fiscalizações visando evitar construções irregulares travam em burocracias e na falta de efetivo para impedir novas ocupações, isto sem contar em obras de contenção mal feitas e de recursos mal investidos. Erros que, de alguma forma, são contraposição ao fortalecimento dos meios de prevenção, não só de cheias, mas agora também de deslizamentos e movimentações de terra nas encostas que margeiam o Vale em todos os lados. Uma conquista, mas ainda não é o suficiente.

Para piorar o quadro, uma tragédia tem como seu potencializador a condição climática que a favorece, e as mudanças deste aspecto em âmbito mundial assustam cientistas no mundo inteiro. Aquecimento global, derretimento das calotas e o constante subir das águas marítimas são o foco da preocupação recente com o tempo no planeta, e cujas consequências também passam pela nossa costa em cidades como Itajaí, exemplo destacado neste âmbito.

Reflexões, ensinamentos, correções de rota e uma preocupação sem precedentes foi o que norteou a entrevista especial do Programa Carlos Henrique neste sábado, imerso nas recordações e reflexos do que foi aquele fim de semana mergulhado em lama em novembro e suas lições doloridas, porém necessárias. Direto do laboratório de geologia da FURB – Universidade Regional de Blumenau – Carlos Henrique teve um encontro com um expert da geologia em nosso estado: professor doutor da instituição, Juarês Aumond.

Mais experiente nos quadros da FURB, Aumond vai muito além de relembrar os fatos, mas também enumera agravantes e responsáveis, fala dos aprendizados e erros durante esse episódio e faz alertas preocupantes vindos de analises internacionais com relação ao agravamento do aquecimento global. Fatores que influenciam no clima e nos movimentos da terra a nossa volta para o futuro.

É uma verdadeira aula e você é nosso convidado para conhece-la. Confira:

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